Erased de Kooning Drawing, criado por Robert Rauschenberg em 1953, é uma obra conceitual revolucionária que desafia os limites do que pode ser considerado arte. Para realizá-la, Rauschenberg pediu ao renomado pintor expressionista abstrato Willem de Kooning um de seus desenhos, que ele então apagou meticulosamente. O resultado é uma folha quase em branco, com vestígios sutis do desenho original. A peça, enquadrada com uma inscrição manuscrita (“Erased de Kooning Drawing, Robert Rauschenberg, 1953”), não é apenas uma performance artística, mas também um comentário provocador sobre criação, destruição e autoria.
Contexto social do artista
Na década de 1950, o expressionismo abstrato era o movimento dominante na arte norte-americana, com artistas como Willem de Kooning, Jackson Pollock e Mark Rothko ocupando o centro das atenções. Robert Rauschenberg, embora reconhecesse a importância do movimento, buscava uma linguagem artística que fosse além de suas convenções.
A obra foi criada em um momento em que Rauschenberg estava explorando o conceito de “arte como processo”, uma ideia que o levaria a integrar objetos cotidianos em sua prática artística. Erased de Kooning Drawing reflete essa busca, ao mesmo tempo que desafiava o cânone artístico estabelecido, ao apagar o trabalho de um dos gigantes do expressionismo abstrato.
Processo criativo da obra
Erased de Kooning Drawing foi o resultado de um processo deliberado e meticuloso:
- Pedido ousado: Rauschenberg abordou Willem de Kooning e explicou sua intenção. De Kooning concordou, mas deu a Rauschenberg um desenho especialmente difícil de apagar, feito com carvão, lápis e tinta.
- Apagamento manual: Rauschenberg usou uma borracha para apagar o desenho, um processo que levou semanas e exigiu enorme paciência.
- Quadro e inscrição: O desenho apagado foi enquadrado com uma inscrição que identifica tanto o autor original quanto o gesto de Rauschenberg, transformando o ato de apagar em uma obra em si.
Significado da obra
Erased de Kooning Drawing é uma meditação sobre o papel do gesto artístico, a natureza da criação e o conceito de autoria. Ao apagar uma obra de arte, Rauschenberg transforma um ato de destruição em um processo criativo, questionando o que define a arte: o objeto final ou o ato de sua produção.
A obra também funciona como um comentário sobre a relação entre tradição e inovação. Ao “colaborar” com de Kooning, Rauschenberg reconhece a importância do passado artístico, mas, ao mesmo tempo, desafia sua permanência e significado.
Além disso, a peça reflete as ideias emergentes da arte conceitual, onde o processo e a intenção do artista muitas vezes importam mais do que o objeto físico resultante.
Recepção da obra
Quando foi criada, Erased de Kooning Drawing foi amplamente incompreendida, com muitos vendo o gesto como uma provocação ou até mesmo um ato de desrespeito. No entanto, críticos e artistas começaram a reconhecê-la como uma obra seminal que expandiu os limites do que pode ser considerado arte.
Hoje, a obra é celebrada como um marco da arte conceitual e está em exibição no Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA). Ela continua a inspirar debates sobre autoria, destruição e o significado da criação artística.
Outras obras importantes do autor
- Bed (1955): Uma pintura-escultura que incorpora uma cama como suporte.
- Monogram (1955-1959): Um combine que inclui um bode de pelúcia rodeado por um pneu.
- Canyon (1959): Uma peça que mistura pintura, colagem e objetos encontrados.
- Rebus (1955): Uma obra híbrida que combina pintura, colagem e fragmentos do cotidiano.
